Erasmo Simão da Silva explica que o aneurisma expande o diâmetro do vaso, o que causa danos às paredes desses tecidos e riscos à saúde dos pacientes

O aneurisma expande o diâmetro, também chamado de calibre, do vaso, o que causa danos às paredes desses tecidos – Foto: Pexels
Aneurisma é uma dilatação anormal na parede dos vasos sanguíneos. Ele pode acontecer em vários vasos, mas acontece principalmente em artérias do cérebro e na artéria aorta. Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, os aneurismas de aorta são de três a sete vezes mais frequentes na parte abdominal do que na aorta torácica. O professor Erasmo Simão da Silva, do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da USP, explica que a denominação de aneurisma é mais comum para os vasos arteriais do que para os vasos venosos e linfáticos.
O aneurisma expande o diâmetro, também chamado de calibre do vaso, o que causa danos às paredes desses tecidos. “O aneurisma pode ser qualquer dilatação que supere em duas vezes o diâmetro daquela determinada artéria, de qualquer lugar do corpo, da aorta, das artérias de membros inferiores, das artérias intracerebrais, das artérias cardíacas.” No caso do aneurisma de aorta, o professor detalha que ela pode acontecer em diferentes lugares da artéria. “A aorta começa na saída do coração. Quando o coração bombeia sangue arterial, o primeiro vaso que recebe esse bombeamento é a aorta. Essa parte de cima da aorta, que está dentro do tórax, chama-se aorta ascendente, porque ela faz uma curva ascendente e para cima. Depois, ela vai para a aorta descendente, que se dirige em direção ao tórax no mediastino posterior, vai cruzar o diafragma e chamar-se de aorta abdominal. A aorta abdominal é a sede mais comum dos aneurismas, excluindo os aneurismas intracerebrais.”
A especialidade responsável pelo caso depende da região da aorta em que a deformidade está localizada. “A aorta torácica ascendente é um campo de ação mais associado aos cirurgiões cardíacos. A cirurgia vascular, que é minha especialidade, atua mais nos aneurismas de aorta abdominal e no aneurisma de aorta torácica. Nós conhecemos muito a evolução natural e sabemos muito quando se indica um procedimento para correção ou quando se observa só esse tipo de situação.”
Evolução da doença
O começo da doença é considerado sutil pelo médico, mas a sua evolução pode chegar à rotura da artéria aorta, ou seja, no rompimento do vaso. “Ele pode crescer de uma maneira muito silenciosa até ter um desfecho, que é o pior desfecho que existe, que é a rotura de aneurisma.”
A professor explica que não existe tratamento direto para a redução do aneurisma. “Quando o aneurisma é detectado precocemente, com tamanho pequeno, nós precisamos tratar, não o aneurisma, mas tratar o paciente. Porque o aneurisma é uma lesão sentinela. Se o paciente tem aneurisma, mesmo que seja pequeno, ele pode ter outras doenças relacionadas ao aneurisma. Quais são essas doenças? Obstruções arteriais de membros inferiores, de artérias renais, viscerais, ele pode ter obstrução de artérias cardíacas, das coronárias ou intracerebrais.” O cardiovascular acrescenta: “O tratamento, quando ele é pequeno, não é focado no aneurisma em si, e sim em outras doenças que podem acompanhar. Para o aneurisma, apesar de diversos estudos, não existe um tratamento específico para estabilizar ou diminuir o aneurisma, isso não existe”.
Devido ao fluxo sanguíneo, o crescimento da anomalia é esperado. “O aneurisma é formado por uma alteração na parede do vaso, parede da aorta, e pela ação do fluxo sanguíneo ele vai crescendo. Pode se estabilizar, mas é raro. A evolução natural geralmente é crescimento.”
As formas de tratamento
O tratamento pode ser feito pelo acompanhamento de outras doenças que agravam o aneurisma, mas também existem as correções cirúrgicas. “O tratamento de aneurisma consiste no tratamento do paciente, de todas as alterações que vêm em conjunto com aneurisma. Especificamente para aneurisma, quando ele é pequeno, é evitar tabagismo, tratar pressão arterial, tratar o diabetes, tratar outras alterações, por exemplo, aumento de colesterol e assim por diante. Quando o aneurisma torna-se grande demais, em especial no aneurisma de aorta abdominal, quando ele passa de 55 milímetros de diâmetro no homem ou 50 milímetros de diâmetro na mulher, já está indicada a cirurgia.”
As cirurgias são divididas em dois procedimentos: feito por cateter ou por correção aberta. “Em cateter, você não precisaria fazer uma incisão abdominal, você faz um acesso remoto, geralmente pela região da virilha, onde uma endoprótese é colocada dentro do aneurisma, supervisão através do raio X de radioscopia, e essa endoprótese é liberada e é desviado o fluxo sanguíneo dentro do aneurisma. Ele não vai mais pressionar o aneurisma, ele vai correr dentro dessa endoprótese. Para fazer isso, geralmente é preciso uma anatomia adequada do aneurisma.”
Já a cirurgia aberta é o tratamento tradicional, sendo indicada para quando a anatomia do aneurisma é complexa. “Nela, se faz uma grande incisão abdominal, na linha mediana ou do lado esquerdo do abdômen, o aneurisma é isolado totalmente e ele é desfuncionalizado total. Ele é retirado de lá com uma prótese que é costurada. Ela não é liberada como na endoprótese, ela é costurada.” Esse procedimento é mais invasivo, porém, é “uma cirurgia mais definitiva, que tem menos problemas no futuro, só que ela tem uma mortalidade maior do que a cirurgia endovascular”.
Grupos mais afetados
Pessoas do sexo masculino, tabagistas e idosos são indivíduos com mais probabilidade de desenvolver aneurisma de aorta. “Ela é uma doença dos pacientes idosos acima de 60 anos, geralmente do sexo masculino. O tabagismo, tanto do ponto de vista experimental como do ponto de vista clínico, atua na parede da horta, desenvolvendo uma inflamação na parede.” Ela é mais comum em indivíduos do sexo masculino, mas pode ser observada também em pessoas do sexo feminino. “Ela é uma doença do sexo masculino, porém, mulher também possui risco, varia entre sete homens para cada mulher com aneurisma.”
No sexo feminino, os hormônios dificultam a dilatação da artéria e diminuem os riscos de desenvolvimento de aneurisma. Porém, “quando a mulher tem o aneurisma, ela tem uma forma mais grave de aneurisma, por ser uma anatomia mais complexa. Ela tem uma rotura mais precoce do que o homem e, quando ela vai ser operada, ela tem mais complicação do que o sexo masculino. Essa é uma característica importante”.